New Music International Festival. De 04 a 09 de dezembro de 2012. Oi Futuro Ipanema, RJ, Brasil
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Akin

metanol

por Akin
Metanol FM
www.metanol.fm/

Artwork: Quinta-Feira

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Tudo poderia estar encerrado, estagnado em um limite, ancorado em uma fórmula monótona e repetitiva. Poderia apenas.

É difícil parar para pensar no momento exato em que tudo se tornou música: a distorção, o ruído, a experimentação, o erro, o acaso, o valor dos detalhes esquecidos repetidos de forma infinita. Mais difícil ainda seria imaginar um mundo sem um novo momento musical, sem novas possibilidades, sem o eterno retorno à inventividade. O novo, de novo.

Mas, no final das contas, o novo é subjetivo e mutável. E o novo pode ser o velho também, e isto não é ruim. O que enxergo é um valor intrínseco na forma como as pessoas dos dias de hoje estão cada vez mais dispostas, ou não, a encarar a “música dos dias de hoje”. Coragem, eu diria, pra mergulhar em um abismo profundo e aceitar que regras, padrões e conceitos devem ser deturpados e subvertidos, sempre. Neste caso, “evoluir” talvez seja o termo mais apropriado.

John Cage já havia previsto o futuro e arrumou briga com o mundo inteiro ao trazer à tona questionamentos sobre a estética tradicional da música, valorizando a força do inesperado e da indeterminância. Inegável legado, ainda incompreendido, tão qual valioso.

Às vezes me sinto como se também tivesse arrumado uma briga, e isto é extremamente motivante. Esta teimosia em buscar maneiras de convencer pessoas a se aventurarem em um outro universo. Uma rádio online, um evento, um texto, uma imagem, um conceito, uma idéia. O trabalho é árduo, mas se fosse fácil, de que valeria?

Produtor, artista ou telespectador, não importa, os tempos são outros. Sejamos também força motriz na mudança de perspectivas. Ser plural e único, se perder na busca de algo novo, e assim, reencontrar-se. Andar pra frente, mesmo quando se está olhando pra trás. Ser irracional e expontâneo, na tentativa de tirar proveito dessa relação entre música e tempo, dentro de um universo em constante expansão.

Questionar, perceber, aceitar, valorizar, evoluir. Tudo é música, e este “todo” ainda desconhecido poderia estar encerrado, estagnado e ancorado em uma fórmula monótona e repetitiva. Poderia apenas. Deveria nunca, e assim não o é.

 
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