New Music International Festival. De 04 a 09 de dezembro de 2012. Oi Futuro Ipanema, RJ, Brasil
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Marcos Boffa

boffa

por Marcos Boffa (em entrevista concedida por Skype)
Eletronika/ Planeta Terra/ Sónar São Paulo

Artwork: Antônio Simas Xavier

Ouça a Mixtape de Marcos Boffa clicando neste link!

“Me formei em geografia em 1984. Aí de 86 a 89 eu trabalhei na Secretaria Estadual de Cultura de Minas Gerais e no meio disso me envolvi com alguns shows. Era mais ou menos na época em que saiu uma coletânea de hip-hop paulista, tipo Código 13, esse pessoal assim bem 80. Junto com um pessoal conhecido chegamos a fazer alguns shows desses artistas em Belo Horizonte. Depois dei uma parada e voltei meu trabalho para o universo de exposições de artes plásticas. Em 1992 fui trabalhar na Secretaria de Cultura de Belo Horizonte. E no ano seguinte, me chamaram para fazer parte de uma comissão que tinha como objetivo organizar eventos que apontassem para o centenário de Belo Horizonte, que seria em 1997. Um dos projetos que a gente conseguiu emplacar foi o BHRIF, que era o Belo Horozinte Rock Independent Fest. Chamei o Arthur G. Couto Duarte, o Marcelo Dolabela, o Alex Antunes e o Gefferson Santos, e foi esse grupo que pensou o evento. Não rolou de trazer o Young Gods, mas acabamos conseguindo o Chris Cutler e o Fugazi. Esse festival foi uma puta referência pra todo mundo, toda essa geração MTV, Daniel Benevides, o Miranda… A gente batia muito na tecla: tinha que ser gravadora independente mesmo, nem selo ligado a major podia. Mesmo o pessoal da Banguela, na época a gente não deixou tocar no festival, porque era um subselo da Warner.”

Mas o início regular mesmo da produção de shows foi a partir de 1997, depois de ter voltado da França, por onde morei por quase 2 anos. Nesse ano eu criei com o Jeff Kaspar a Motor Music, que era uma loja, selo, produtora de shows e distribuidora de discos. Foi aí que organizei a segunda turnê do Fugazi, depois NOFX e Man or Astroman. Aí em 1999, eu, Jeff, Aluizer Malab e o Haroldo Botelho pensamos em fazer um festival inspirado no BHRIF, mas com uma outra proposta, e daí surgiu o Festival Eletronika. Foi quando a gente trouxe o Anthony Shake Shakir, Tortoise com o Tom Zé, o Otto em seu primeiro disco e aquela produção da Trama, coisa e tal. E começamos a fazer umas coisas de eletrônica em paralelo também, como o DJ Die, John Carter e todo pessoal da Wall of Sound. Enquanto o Eletronika se tornava um espaço importante para este tipo de música, ao mesmo tempo a gente continou fazendo todos esses shows, tipo Stereolab, Yo La Tengo, John Spencer Blues Explosion e Kruder & Dorfmeister. Em 2000 e pouquinho, eu conheci o pessoal do Sónar e quando voltei de Barcelona tinha uma carta que me dava os direitos de trazer o festival para o Brasil. Uns dois anos depois, o Coy Freitas foi trabalhar na CIE quando a empresa ainda não se chamava Time for Fun e aí eles compraram a ideia e a venderam para a Nokia. Foi nesse período que me mudei de BH para São Paulo. E a partir desse ponto, meu trabalho foi cada vez mais focando em festivais, como o Nokia Trends em 2005, o Motomix em 2006, o Planeta Terra em 2007 e aí foi embora.”

“Acho que faltam espaços no Brasil que tivessem uma programação mais tematizada ou mais focada na questão da música experimental e da música avançada. A gente depende muito de instituições como o Sesc, o Itaú Cultural e o Oi Futuro, ou de eventos como o próprio Sónar. Isso é pouco para gerar um caldo, transformar uma cena e mexer com a produção local. Você vai em Montral por exemplo e tem lá a Sociedade de Arte e Tecnologia, o SAT, que é um espaço dedicado a produção de arte digital e música experimental. Você não vê nada disso no Brasil… O que a gente tem aqui é uma cultura de música popular brasileira muito forte, um circuito de clubes que são de música voltada para a pista e um circuito de casas noturnas que melhorou nos últimos anos mas que é voltado essencialmente para bandas de rock e novos artistas brasileiros.

“Não vejo grandes evoluções no país desde que me envolvi com produção de shows. O que vejo são mais iniciativas que permitem que alguns artistas apareçam com mais frequência, mas não sou tão otimista no sentido de que a gente tenha aí uma infraestrutura de espaços que permitam que a coisa seja alimentada constantemente com uma programação voltada para a música experimental, arte sonora e música avançada”.

 
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