New Music International Festival. De 04 a 09 de dezembro de 2012. Oi Futuro Ipanema, RJ, Brasil
Novas Frequências

Nas margens da eletrônica

por Tomás Pinheiro

Foi um bom ano para música eletrônica, tanto em termos de lançamentos quanto de novos artistas. Mas se 2012 tiver que ser lembrado por alguma coisa será pelos produtores que operam nas margens das margens e não dentro de selos, gêneros ou cenas. Indivíduos que fazem o que podemos chamar de uma “outside dance music”, ou seja, vivem a margem do cenário eletrônico e rankings da Resident Advisor, mas fazem música dançante que nem sempre dá vontade de dançar.

“Outsider Dance” foi o termo usado por Ben UFO, DJ e dono de selo, que em seu programa de rádio agradeceu a todos da “Outsider Dance” e mandou abraços pro “pessoal” dos selos The Trilogy Tapes, PAN e pra todos que viram o “Hieroglyphic Being e Oneohtrix Point Never em Londres semana passada”. Isso pode não parecer estranho vindo do Ben UFO, que é considerado um dos melhores DJ do mundo e um cara de muito bom gosto e vasto conhecimento de eletrônica, mas só confirma o fato de que esses artistas marginais, depois de anos produzindo obscuramente, finalmente chegaram ao temido “mainstream”. Podemos juntar ainda a esse grupo selos como o L.I.E.S e Dixon Avenue Basement Jams, além de artistas como Bee Mask, Juju & Jordash e alguns que já vieram ou virão para o Novas Frequências.

Ano passado, quem veio ao Rio para o festival foi Andy Slott, ainda antes de lançar “Luxury Problems”. Para a nova edição, já antecipando tendências, o Novas Frequências preparou dois pratos cheios para esse tipo de música. Actress e Pole são produtores que podem ser considerados referência nessa área. O primeiro com seus beats hipnóticos, imersivos e contra intuitivos e o segundo com seu dub techno inventivo. Com 2 discos lançados e um selo para cuidar, Actress ou Darren Cunningham é um dos grandes nomes nesse cenário atualmente. Seu ultimo disco “R.I.P” é uma mistura de loops, techno e ambient que chegam a causar alucinações. Seu selo Wreck Discs é responsável por lançar artistas Lukid, Lone e Zomby, nomes de peso nessa margem. Já Pole produz a pelo menos 20 anos. Depois de uma longa pausa, ele vem tentando reinventar o Dub Techno com o qual fez sucesso no final dos anos 90. Sua última série de EPs chamada de “Waldgeschichten”, ou histórias de floresta, traz sons mais orgânicos e naturais como o próprio nome sugere.

Vivendo na margem do mundinho eletrônico, esses artistas aos poucos vão conquistando seu espaço nesse cenário e dentro da noite. Se depender deles, as boates vão ficar lugares bem estranhos para se dançar em 2013.

Tomás Pinheiro é redator do site PartyBusters.org

 
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