New Music International Festival. De 04 a 09 de dezembro de 2012. Oi Futuro Ipanema, RJ, Brasil
Novas Frequências

Pedro Azevedo

audiorebel

por Pedro Azevedo
Audio Rebel
www.audiorebel.com.br

Artwork: Breno Pineschi

Ouça a Mixtape de Pedro Azevedo clicando neste link!

Desde os 18 anos, quando tinha uma banda de hardcore, até hoje, minha vida foi dedicada a ouvir, fazer, divulgar, produzir, equalizar e gravar diferentes tipos de sons que me movem. Nesse caminho, diversas vezes me deparei com surpresas, sons que não me despertaram interesse em registros gravados, mas que ao vivo me marcaram muito. Ou sons que achava a coisa mais brilhante do mundo, dos quais hoje resta apenas uma sensação saudosista. Memórias sonoras…

Recentemente, tive o prazer de produzir um show do Kevin Drumm na casa que criei e onde até hoje trabalho, a Audio Rebel. Casa que foi criada justamente por eu amar tudo referente à música. Lá posso acompanhar ensaios, gravar discos, comercializar os mesmos e ainda produzir pequenos-grandes shows. A questão desse show em si é que eu admiro muito o histórico do Kevin e de todos que colaboraram com ele em sua carreira. Os amigos com quem mais me identifico em matéria de gosto musical também admiram muito o cara. Porém, minha relação com o som dele era curiosa. Sempre que eu parava pra escutar, parecia algo avançado demais pra minha cabeça, um misto de estudo com tortura. Quando o cara chegou para passar o som e o conheci pessoalmente, logo percebi que não era um cara comum. De cara, ele comentou sobre detalhes da acústica da sala e do sistema de som que a maioria das pessoas demoram meses para perceber…

Ao vivo, aquela pressão sonora fez todo o sentido do mundo, pude entender e me divertir com sua forma de compor e criar música, foi um momento incrível de muita satisfação pessoal, de ter um artista de tal calibre e presenciar um momento em que todo o público lá presente se extasiava com aquela música incrível. Esse processo não se deu rápido na minha vida, mas o mais interessante pra mim é que sempre haverão novas frequências, ou pelo menos assim eu torço. A música tem a capacidade de te surpreender, te ensinar novos gostos, novos padrões, mesmo que você trabalhe com ela várias horas por dia quase todos os dias da semana…

Há muito tempo atrás, quando ainda não existia a Rebel e eu organizava shows em outras casas e alugava sistemas de som, um cara chegou pra tocar com um laptop me pediu pra “aumentar cerca de 6db na região de 6k”. Eu fiquei na dúvida se ele também era técnico de som ou ele sabia disso porque usava isso direto na composição de suas músicas. Hoje, tenho certeza de que essa forma de compor já mudou bastante e que muito mais está por vir, não só em termos técnicos, eletrônicos ou musicais, mas na essência da música, de novos mercados fomentarem novos artistas para produções mais autorais, pessoais, autênticas e inovadoras. Que todo músico não tenha medo de arriscar novas frequências e que o público fuja da mesmice do mainstream, da música pop ou da “modinha” hype. Que festivais sigam em frente e não voltem ao passado, que façam as pessoas vislumbrarem novos horizontes e que não fiquem estagnados ao que já existe.

 
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